quarta-feira, outubro 29, 2008
Sonho
Tento perceber o sentido que me faz viver nesta solidão, a tentar absorver todo e qualquer som que se reproduz dentro de mim, como que uma prova que ainda consigo sentir.
É este o meu pesadelo.
Um pesadelo bem real, do qual tento vislumbrar a luz de saída. Procuro incessantemente esse ponto que me irá indicar o caminho para tudo de bom, para o sonho que a minha alma anseia desenfreadamente, procuro-te a ti.
Acordo com as gotículas de suor a lentamente descerem pelo meu rosto, sinto um arrepio de frio a subir a minha espinha, olho para o lado e aí estás tu.
Dormes calma e descontraída, o teu corpo ondula com cada respirar teu como se o de uma deusa se tratasse e os querubins velassem pelo teu sono, como se todo o meu pesadelo não existisse.
O que é realidade e o que é fantasia, não quero descobrir.
Quero ficar ao teu lado a olhar eternamente para ti, sem nunca fechar os olhos, sem nunca dormir.
MM/01
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Morri
Nesse triste dia morri,
E ao veres-me choraste.
Eu em tuas lágrimas renasci,
Mas assim o chão molhaste.
Da terra molhada e fértil
Uma pequena planta surgiu
De uma maneira sempre subtil
De quem só para ti emergiu.
A planta tornou-se arvore
E dela ramos brotaram
Fortes e macios como mármore
Que logo na face te acariciaram
Os frutos dessa árvore serão frutos
Do eterno amor que sinto por ti.
Eles estarão sempre doces e maduros
Como o amor que por ti nutri.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Silêncio da noite.
No silêncio da noite, eu ouço a tua respiração...
Não...Não era tua respiração...Era o vento...
No silêncio da noite, vejo o brilho dos teus olhos...
Não...Não eram teus olhos...Era o brilho da lua...
No silêncio da noite, ouço o teu corpo roçar no meu...
Não...não era teu corpo...Era a água a bater nas pedras...
No silêncio da noite, sinto a tua falta...
No silêncio da noite quero sentir o calor do teu corpo ...
Como a chama de uma lareira que arde para sempre.
Desejo-te aqui ao pé de mim... no silêncio da noite!
segunda-feira, julho 17, 2006
Amor platónico
Tenho, desde que te vi pela primeira vez,
Uma visão absoluta do que é amor platónico.
Só beijei os teus lábios, em sonhos talvez,
Mas só assim poderia sentir o seu sabor incógnito.
O calor do ter corpo desvanece na brumas da memória,
Porque jamais o senti, bem como o cheiro dele.
Senti o teu corpo nas manhãs de glória,
Em que te descrevias e tocavas na tua pele.
Saías do banho completamente despida,
E lembravas-te de mim e falavas comigo.
Onde para agora essa lembrança perdida?
Já só me consideras como um amigo?
Diz-me se pensavas em mim de forma lasciva,
Da mesma maneira que eu pensava em ti.
O que é que em nós nos motiva?
E porque será que nunca este desejo perdi?
Uma só noite de amor, sem limites, sem questões,
Para nos perdermos em nossos corpos nus.
Amar não é um erro, nem tem lugar a perdões,
Nem a desculpas, só o prazer de abraçar-mo-nos.
MM/02
segunda-feira, outubro 27, 2003
Falemos deste nosso cantinho à beira mar plantado.
Um País que tem como herói nacional o Zé Maria, justificadamente.
Teremos de substituir o busto da República por um busto do Zé Maria que representa o Estado Português como nunca ninguém representou, senão vejamos, surgiu do nada, de derrotado por natureza e convicção, começa a elevar-se ao conhecimento por pena de todos e porque ninguém gosta e ver o mais fraco ser espezinhado, uma espécie de complexo Norte-Americano.
Quando atinge a ribalta, o reconhecimento por todos os seus iguais, os talvez não, comporta-se como se estivesse naquele mediocridade em que sempre viveu, sem ser capaz de evoluir, e todos tem pena, aceitam-no mas ignoram-no.
Abominam os seus sonhos medíocres de quer perseguir um ideal que morreu, sendo substituído por outro ou outros.
Acabará por cair num esquecimento de abuso em que todos sabem quem é, o que faz, menos o próprio que cairá numa esquizofrenia de sonhos perdidos e renovados, para nunca mais saber quem é nem que queria ser.
Manuel Maia / 01
terça-feira, outubro 14, 2003
Que obra mais perfeita, o corpo de uma mulher.
A tua pele sedosa e suave a exalar o perfume enebriante da sensualidade que é ser mulher.
Todas as Tuas formas foram delineadas com a mestria que só um Deus pode alcançar, e só um Deus deveria poder apreciar, mas a que nós meros mortais foi dada a honra suprema de alcançar.
Toda a tua graça, leveza e inteligência pertencem à natureza primitiva de Gaia, a qual todas as mulheres descendem.
Devem todos os homens bradar aos céus por tamanha honra que lhes foi instituída, devem tratar uma mulher como um templo, com delicadeza e suavidade, como se de uma divindade se tratasse.
Todo o teu corpo é um centro de sensualidade e prazer, que a beleza de uma mulher poderia ter.
Qual melhor sensação de que poder tocar com os lábios na tua pele de mulher, ter nesse gesto as narinas preenchidas pelo exalar de seu perfume inesquecível, sentir depois o teu maravilhoso sabor e calor a percorrer os meus lábios.
Poder percorrer o teu corpo beijando a tua pele, doce irrealidade do prazer.
Começa este périplo pelo teu corpo, por essas duas colunas gregas torneadas, que são as suas pernas cheias de sensações pagãs, todas as sua voltas e tendões são fontes de sabor supremo, e o seu terminus em dois cumes de firme sensualidade que são tuas nádegas.
Continuo a fazer esta peregrinação nas suas costas, qual via extendida de prazer, onde os meus lábios são exíguos para abarcar tanta sensação, tento acompanhar essa linha divisória que se forma em tuas costas que me leva à base de todo o ter ser e sentir, beijar-te-ia, na base da cabeça nesse certo de loucura que é teu pescoço.
Teu lindo rosto que ilumina tantas manhãs e tantas noites, teus lábios que me atraem como um luz na noite em que fico hipnotizado só de olhar para eles, completas por um olhos que mostram o sentido da minha vida, o teu prazer.
Desço antes que tanta beleza me ofusque e perca a razão, mas só para descobrir dois frondosos montes que terminam com maravilhosos monumentos que desafiam os céus com tanta beleza e firmeza, a tentação de os ter em minha boca é irresistível, sendo impossível qualquer tentativa de os evitar, beijo-os com a delicadeza de quem saboreia pela primeira vez o sabor quente e doce de uma fruta exótica. A minha estadia prolonga-se.
Descubro que estes montes dão para uma planície e que ao longe se vislumbra um frondoso jardim, mas essa planície fértil de calor, teu em seu epicentro o local de onde foste pela primeira vez nutrida de alimento e amor, este é um lugar que se deve venerar porque sem ele não existirias.
Percorro em espiral essa planície tendo com inicio esse centro até chegar até ao local onde devo prestar as minhas últimas preces de agradecimento, delicio-me a passar a minha língua pelos pêlos que formam esse tua floresta inacessível a todos aqueles que tu não desejas, só para descobrir a tua fonte de quente e doce néctar, que ninguém que vive pode dizer que tal o faz sem o provar. Com a maior das venerações, eijo o inicio dessa fissura em teu corpo, para saborear teu pequeno e delicado clitóris, onde se sente a tua humidade sensual a transpirar.
Que forte e calorosa é tua recepção de onde brota teu néctar, poderia viver para sempre que nunca esqueceria teu sabor, nem o ardor da tua paixão.
Manuel Maia/ 99
segunda-feira, outubro 13, 2003
A chuva imprevista de Verão atinge-te como se fosses uma flor que há muito não recebia água. Danças ao som da batida das gotas da chuva, e o teu corpo fica envolto por inúmeras gotículas de água que me fazem desejar-te mais.
Aproximo-me de ti só para os desenhos maravilhosos que as gotas descrevem ao deslizarem pelo teu corpo suave, como gostava de ser uma gota e percorrer o teu corpo lentamente.
Já perto de ti ajoelho-me, como se rezasse para uma Deusa somente descoberta agora. Beijo-te o umbigo descoberto e bebe a água da vida lá depositada. Tu deixas a tua cabeça cair para trás e molhando mais a tua face e tronco.
Subo por ti acima e quedo-me a olhar para teus seus erectos e húmidos, escondidos por detrás de uma prisão que lhes impede de sentir a chuva e o deslumbramento da luz. Com um gesto solto-os e aprecio a beleza que é de ver prisioneiros a sentirem a liberdade, erguem-se em contentamento. Fascinado com esta visão e não conseguindo decidir qual acariciar, beijo-te sofregamente entre teus peitos, para sentir o abraço dos mesmos na minha face.
Decido-me pelo esquerdo, desenho uma linha circular com os meus lábios com o centro e ultimo ponto de contacto no mamilo. Agarro-o delicadamente com os meus lábios, para chupa-lo lentamente e faze-lo penetrar na minha boca e por fim mordisca-lo.
Vendo o outro mamilo a demonstrar sinais de ciúme, dirijo os meus lábios na sua direcção, não sem antes dar um beijo de despedida ao que abandono agora. Trato o mamilo direito com a mesma reverência que o esquerdo, para depois procurar os teus olhos.
Levanto a cara e vejo que os tens fechados, com a tua face a demonstrar um ar de quem saboreou algo de maravilhoso. Levantas a cabeça quando por fim te apercebes que eu parei com as caricias e te estou a olhar fixamente, e a surpresa nos teus olhos é demonstradora que desejavas mais.
Os teus lábios adquirirão um tom escarlate, ficando parecidos com grandes rubis lapidados à medida de teus lábios, mas com o calor de um vulcão por detrás deles. Quis-me queimar em teus lábios e beijei-os, forçando com a minha língua a entrada para o céu, o qual atingi pouco depois. Perscrutei a tua boca e brinquei com a tua língua. Todos os meus sentidos dispararam e por momentos pensei que perderia a razão e os sentidos, estava no paraíso, estava contigo, sentia o calor de teu corpo junto do meu, sentia os teus lábios nos meus.
E ali estávamos, juntos na rua, em pleno verão a chover, ambos de tronco nu, um conjunto de situações raras, mas que estão a acontecer, não te queria largar queria largar, ficaria para sempre contigo ali, pelo menos na minha mente ficaríamos para sempre, nesse dia, ali juntos à chuva.
Libertaste os teus lábios dos meus, e acordaste-me do meu sonho perfeito, abraçaste-me como eu nunca tinha sido abraçado, e encostaste a tua face à minha e eu senti o calor da tua bochecha de encontro à minha. Senti os teus lábios perto do lóbulo da minha orelha e ouvi a tua doce voz num sussurro que me fez corar: “Queres ir para um lugar mais reservado?” – Disseste.
O espanto tornara-me mudo, mas tu não esperaste pela resposta, prendeste os teus prisioneiros e deste-me a mão e guiaste-me para o teu sítio mais reservado.
M.M.